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“Pica pra dois.”

VELHO DESCARADO - Seu Cuca fuma cigarro fedido.
PARCO VELHO - Morreu neste fim de tarde aos 88 anos Astolfo Parlbonha, um dos maiores colaboradores para a cultura brasileira de tiração de sarro. “Me lembro como se fosse há uns 20 anos atrás” relata Cuca, grande amigo do falecido, de mesma idade (o que explica o similar nome de idoso). O amigo explica que Astolfo não era ingênuo ou bobo, “mas naquele dia ele estava muito desligado!”, explica.
Cuca, hoje o proprietário do bar Pica pra Dois, disse que ele e o amigo haviam pedido uma pizza pequena para o garçom. O garçom já estava na metade do caminho de volta à cozinha quando Astolfo se lembrou de fazer o pedido que depois se tornaria uma das tirações de sarro mais populares do país – o mais alto que pôde ele gritou “Pica pra dois!”. Um silêncio se seguiu, depois o bar inteiro caiu na gargalhada. “O resto é história”, diz Cuca, com uma lágrima apontando no olho direito.
Apesar da história lhe render muitos fregueses (Pica pra Dois é um dos bares mais famosos da Rua Frei Caneca, em São Paulo), Cuca faz questão de deixar claro que aquela não foi necessariamente a primeira vez que alguém disse esta frase, “mas certamente foi a primeira vez que uma quantidade considerável de pessoas prestou atenção simultâneamente, constatou a micro-comunidade formada em torno do fato, e optou por agir na forma de troça pública!”, explica de maneira extremamente sem graça, ” Hahaha!” e depois ri, “cof, cof!” tossindo em seguida devido ao cigarro nojento.
Terminada a reportagem, agradeci a Cuca pelas histórias e lembranças, e fui interpelado com um estranho pedido: “E quanto a mim? Você não quer saber quem eu sou?”. Ao que seguiu o seguinte diálogo, que deixo registrado aqui que é pra eu largar a mão de ser besta:
- Seu Cuca, quem é o senhor?
- Seu Cuca é eu!
Cresce número de mortos em acidente na Av. Paulista

ABSURDO - o número de mortos não pára de crescer.
SÃO PAULO – Vinte pessoas morreram anteontem em uma explosão na Avenida Paulista, causada por “alguma besteira, daquelas que ninguém acha que vai dar nada e derrepente vira isso aí”, em palavras do Coronel Major Recruta. A polícia já controlou a situação, mas está enfrentando agora um outro desafio na redação do relatório de perícia.
“Não sei o que está acontecendo”, explica Jonas Torres, o escrivão responsável pelo caso. “Estou aqui tentando finalizar o texto e o número de mortos fica crescendo”, explica, coçando a cabeça e dando mais um gole do café frio e sem açúcar da delegacia. “Deve ser um vírus no Word”, completa.
Até o fechamento desta BOLHA, o número de mortos na explsão da avenida paulista estava em 38, em fonte Arial bold.